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Saúde Ocupacional

Riscos Psicossociais
relacionados ao Trabalho o que a empresa precisa entender

Entenda como esse tema se conecta à NR-1, à organização do trabalho, à prevenção de agravos e à necessidade de uma gestão ocupacional mais consistente.

ISO 45003:2021 ISO 45001:2018 NR-1 Atualizada Burnout Assédio PGR

O que são riscos psicossociais?

Fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho são elementos presentes na forma de organizar, gerir e executar as atividades laborais que podem afetar a saúde, o bem-estar e o desempenho ocupacional dos trabalhadores. Eles não se resumem a clima organizacional: exigem leitura técnica das condições de trabalho, das exigências da atividade e das relações estabelecidas no ambiente laboral.

"Interações entre o conteúdo do trabalho, sua organização e gestão, as condições ambientais e as capacidades, necessidades e expectativas do trabalhador que podem prejudicar a saúde, o desempenho e a satisfação no trabalho."
— Organização Internacional do Trabalho (OIT) / Organização Mundial da Saúde (OMS)

Esses riscos existem em todas as organizações — independentemente do porte, setor ou modelo de negócio. O que varia é a intensidade, a frequência e a capacidade da empresa de gerenciá-los. Ignorá-los não os elimina: ao contrário, tende a amplificá-los silenciosamente, até que se manifestem em afastamentos, conflitos ou passivos trabalhistas.

ISO 45003:2021 e ISO 45001:2018

O Brasil adotou as melhores práticas internacionais como referência. Conhecer as normas ISO é essencial para qualquer empresa que busca conformidade técnica e gestão de qualidade superior.

ISO 45001:2018
Sistema de Gestão de SST

Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional — Requisitos com Orientação para Uso

A ISO 45001 é o padrão global para sistemas de gestão de SST. Ela substituiu a OHSAS 18001 em 2021 e fornece o framework para que as organizações melhorem proativamente o desempenho em saúde e segurança, reduzindo riscos e prevenindo acidentes. A ISO 45003 opera dentro desse framework, adicionando a dimensão psicossocial.

ISO 45001:2018
  • Framework geral de SST
  • Todos os riscos ocupacionais
  • Requisitos certificáveis
  • Política e objetivos de SST
  • Gestão de conformidade legal
+
ISO 45003:2021
  • Foco exclusivo no psicossocial
  • Fatores de risco específicos
  • Orientações práticas (não certificável)
  • Cultura organizacional e liderança
  • Proteção e promoção da saúde mental
Resultado
Gestão integrada e completa da saúde ocupacional

NR-1 e os riscos psicossociais

A NR-1 passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso significa que a empresa deve considerar as condições de trabalho, identificar perigos, avaliar riscos, classificar prioridades, implementar medidas de prevenção e acompanhar a eficácia das ações adotadas.

Jun/2021
ISO 45003 publicada

A norma internacional para saúde psicológica no trabalho é lançada, servindo de referência técnica para atualizações futuras da NR-1.

Jan/2022
PGR entra em vigor — substituição do PPRA

O Programa de Gerenciamento de Riscos passa a substituir oficialmente o PPRA a partir de 3 de janeiro de 2022, com escopo ampliado para riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

Jan/2022
Burnout incluído na CID-11 como fenômeno ocupacional

O burnout passou a constar na CID-11 como fenômeno ocupacional relacionado ao trabalho. O eventual reconhecimento de nexo ocupacional no caso concreto depende de avaliação técnica, médica, pericial e jurídica.

2024
Portaria MTE nº 1.419 — NR-1 atualizada

Riscos psicossociais são incluídos no escopo do PGR. Empresas devem identificar, avaliar e controlar esses riscos com documentação técnica.

Mai/2026
Vigência obrigatória — 26 de maio de 2026

Data limite fixada pelo MTE para adequação do PGR com a inclusão dos riscos psicossociais. Empresas não conformes ficam sujeitas a autuações e passivos trabalhistas.

O que a NR-1 exige das empresas

01
Identificação dos perigos
Mapear todos os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho presentes nos ambientes e processos da empresa.
02
Avaliação do risco
Classificar a magnitude de cada risco com metodologia técnica validada, considerando probabilidade e severidade.
03
Medidas de controle
Definir e implementar ações preventivas priorizando a eliminação ou redução na fonte — não apenas o suporte individual.
04
Monitoramento e revisão
Avaliar periodicamente a eficácia das medidas, revisando o PGR sempre que houver mudanças no ambiente de trabalho.
05
Participação dos trabalhadores
Garantir que os trabalhadores participem do processo de identificação e avaliação dos riscos, inclusive via CIPA.
06
Documentação técnica
Registrar todas as etapas — diagnóstico, plano de ação, implementação e revisões — com embasamento técnico-científico.

Principais fatores de risco psicossocial

A ISO 45003:2021 classifica os perigos psicossociais em seis categorias. Todos devem ser identificados, avaliados e controlados no âmbito do PGR.

01

Conteúdo do trabalho

  • Demandas cognitivas excessivas ou insuficientes
  • Demandas emocionais — contato com sofrimento, violência ou situações traumáticas
  • Trabalho monótono, repetitivo ou sem significado
  • Ambiguidade e conflito de papel
  • Responsabilidade por outras pessoas sem suporte adequado
02

Organização do trabalho

  • Jornadas excessivas, turnos noturnos ou escalas imprevisíveis
  • Falta de pausas e períodos de recuperação adequados
  • Ritmo de trabalho imposto sem margem de controle
  • Ausência de flexibilidade para lidar com imprevistos pessoais
  • Sobrecarga quantitativa — volume de tarefas incompatível com o tempo disponível
03

Cultura organizacional

  • Comunicação deficiente ou ausência de informação sobre mudanças
  • Baixo suporte da liderança e da organização
  • Falta de clareza nos objetivos organizacionais
  • Gestão de mudanças inadequada — reestruturações sem preparo
  • Ausência de política de saúde e segurança psicológica
04

Relações no trabalho

  • Assédio moral — humilhação, isolamento, exposição ao ridículo
  • Assédio sexual — comportamentos não desejados de conotação sexual
  • Violência no trabalho — verbal, física ou virtual
  • Conflitos interpessoais crônicos não gerenciados
  • Falta de suporte social de colegas e gestores
05

Interface trabalho–vida pessoal

  • Trabalho que invade sistematicamente o tempo pessoal e familiar
  • Demandas fora do horário laboral — mensagens e chamadas
  • Impossibilidade de tirar férias ou folgas programadas
  • Falta de suporte organizacional para necessidades familiares
  • Cultura que valoriza a disponibilidade 24/7
06

Desenvolvimento profissional

  • Insegurança no emprego — medo de demissão ou terceirização
  • Falta de perspectiva de crescimento ou progressão na carreira
  • Trabalho aquém da qualificação — subaproveitamento
  • Ausência de reconhecimento pelo desempenho
  • Incerteza sobre o futuro do papel ou da organização

Consequências da exposição prolongada

Quando esses fatores não são gerenciados, a empresa pode enfrentar aumento de conflitos, perda de produtividade, mais afastamentos, maior rotatividade, fragilidade documental e maior exposição a litígios. A questão não é apenas saúde mental: é também estabilidade operacional e qualidade da gestão.

Para o trabalhador

Psicológico
AnsiedadeDepressãoBurnout Estresse crônicoTranstornos do sono
Físico
HipertensãoDoenças cardiovasculares LER/DORT agravadaImunossupressão
Comportamental
AbsenteísmoPresenteísmo Uso de álcool/drogasIsolamento social

Para a empresa

Passivo trabalhista

Ações por assédio, agravos à saúde ocupacional e acidente de trabalho com nexo causal reconhecido.

Queda de produtividade

Presenteísmo (trabalhador presente mas improdutivo) pode ser mais custoso que o afastamento.

Alta rotatividade

Custo de substituição de um funcionário varia de 50% a 200% do salário anual, segundo estudos da SHRM.

Autuações fiscais

Com a NR-1 atualizada, a ausência do PGR com riscos psicossociais sujeita a empresa a multas e embargos.

Dano à reputação

Avaliações negativas em plataformas como Glassdoor afastam talentos e comprometem o employer branding.

BURNOUT

Burnout: como comunicar isso sem exagero

CID-11 QD85 — Burnout

Burnout é tratado pela CID-11 da OMS como um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Isso não significa que toda situação de esgotamento gera automaticamente reconhecimento de doença ocupacional ou responsabilidade direta do empregador. O nexo com o trabalho e as consequências jurídicas dependem da análise do caso concreto.

30%
dos trabalhadores brasileiros sofrem de burnout
Fonte: ISMA-BR
maior número de casos de burnout no mundo, atrás do Japão
Fonte: ISMA-BR
R$4bi
custo anual estimado em perdas de produtividade por estresse ocupacional
Fonte: ISMA-BR / OPAS
O diagnóstico de burnout pode gerar reconhecimento de acidente de trabalho, estabilidade provisória e indenizações — responsabilidade direta do empregador.
Exaustão
Sensação de esgotamento total de energia — física, emocional e mental
Distanciamento
Cinismo, negativismo e distância emocional crescente do próprio trabalho
Ineficácia
Sensação de incompetência e falta de realização — mesmo diante de resultados objetivos

Avaliação não é só aplicar questionário

A avaliação de fatores psicossociais relacionados ao trabalho precisa considerar contexto organizacional, condições reais de trabalho, exigências da atividade, grupos expostos, percepção dos trabalhadores e coerência com o processo de gerenciamento de riscos. Ferramentas podem ajudar, mas não substituem leitura técnica.

Principais instrumentos validados

Instrumento
Origem
O que avalia
Melhor para
COPSOQ II
Copenhagen (Dinamarca)
Exigências, controle, apoio social, significado, conflito
Empresas de médio e grande porte, todos os setores
ISTAS-21
Espanha (baseado no COPSOQ)
20 dimensões psicossociais em 6 grupos
Setores industriais e serviços, aplicação coletiva
MBI (Maslach)
EUA — Christina Maslach
Exaustão emocional, despersonalização, realização
Diagnóstico específico de burnout
JCQ (Karasek)
EUA — modelo demanda-controle
Demandas psicológicas e latitude de decisão
Análise do equilíbrio demanda × autonomia
ERI (Siegrist)
Alemanha — modelo esforço-recompensa
Equilíbrio entre esforço dispendido e recompensa obtida
Análise de gratificação e comprometimento excessivo

Processo de avaliação

1
Planejamento
Definição do escopo, escolha do instrumento, formação da comissão tripartite (empresa, trabalhadores, CIPA).
2
Comunicação
Engajamento e sensibilização dos trabalhadores. Anonimato e confidencialidade são garantias fundamentais.
3
Coleta de dados
Aplicação do questionário validado. Complemento com grupos focais, observação e entrevistas quando necessário.
4
Análise técnica
Processamento estatístico dos dados, elaboração de relatório com mapeamento por setor/função/nível hierárquico.
5
Plano de ação
Priorização técnica das intervenções com base no nível de risco. Medidas organizacionais têm prioridade sobre medidas individuais.
6
Reavaliação
Monitoramento da eficácia das medidas com indicadores pré-definidos. Ciclo contínuo de melhoria conforme ISO 45001.

Da avaliação à conformidade

A Pró Mente Assessoria acompanha todo o ciclo de gestão de riscos psicossociais — do diagnóstico inicial à documentação para o PGR, em conformidade com a NR-1 e alinhado às diretrizes da ISO 45003:2021.

Diagnóstico organizacional

Levantamento do contexto, mapeamento de setores de risco e escolha do instrumento de avaliação mais adequado ao perfil da empresa.

Avaliação com instrumento validado

Aplicação de questionários científicos com garantia de anonimato, análise estatística e relatório por grupo ocupacional.

PGR com riscos psicossociais

Elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos em conformidade com a NR-1 atualizada, com documentação técnica completa.

Canal de Acolhimento

Implantação de canal confidencial para relatos de assédio e irregularidades — ferramenta essencial de gestão psicossocial e compliance.

Capacitação de lideranças

Treinamento de gestores para reconhecimento de sinais de risco, comunicação não violenta e gestão saudável de equipes.

Monitoramento contínuo

Acompanhamento periódico com indicadores organizacionais e ocupacionais agregados, revisão das medidas de controle e atualização do PGR conforme necessário.

Próximo passo

A empresa não precisa de discurso alarmista. Precisa de método.

A melhor abordagem é estruturar a identificação dos fatores de risco, organizar evidências, revisar práticas internas e fortalecer o PGR com base na realidade da organização.